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29 de ago. de 2010

"Manejo florestal pode render mais que pecuária e cultivo de grãos, diz estudo"


"Levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para o Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor) aponta que, quando respeitadas as leis ambientais e trabalhistas, o manejo florestal é mais lucrativo que a pecuária extensiva e o cultivo de grãos na Amazônia.
De acordo com o professor Antônio Cordeiro, que coordenou o estudo, cada hectare (10 mil metros quadrados) de floresta amazônica pode render R$ 22,05 com manejo florestal por ano, em comparação com R$ 6,00 da pecuária e R$ 14,00 das lavoura de grãos. “A ideia é que as entidades financiadoras que não conhecem essa rentabilidade, disponibilizem linhas de crédito para a exploração florestal”, explica.
O manejo florestal consiste na exploração planejada e controlada da mata, de forma a permitir que se recupere, reduzindo o impacto ambiental. O estudo foi feito para orientar os processos de concessão de manejo em florestas públicas estaduais no Pará. O mercado local de madeira em tora foi usado como referência para estabelecer o preço da floresta em pé a ser manejada. O valor médio da madeira em pé foi estimado em R$ 27,20 por metro cúbico.
Cordeiro destaca que a pesquisa foi feita na região da Ilha do Marajó, nos municípios de Bagre, Chaves, Afuá, Portel e Juruti, que proporcionalmente tem menos madeiras nobres que outras partes do Pará, e que, ainda assim, o manejo se mostrou rentável. “Ali há alto índice de madeira branca, que tem menor valor e é muito usada para laminado e compensado”, explica.
A comparação com a agricultura e a pecuária foi feita considerando os custos de cumprir as leis ambientais e pagar os trabalhadores corretamente, o que muitas vezes não ocorre nessas atividades no Pará. Os casos de trabalho análogo ao escravo ou com remuneração abaixo da mínima, por exemplo, são comuns em algumas fazendas de gado. Sem cumprir a legislação, explica Cordeiro, a pecuária é mais rentável que o manejo, mas não é sustentável ambientalmente."

Reportagem de Dennis Barbosa Do Globo Amazônia (imagem divulgada na reportagem. Nasa/produção).

13 de ago. de 2010

"Investidores querem empresas usando GRI nos relatórios de sustentabilidade"

"O grupo de engajamento da coordenação brasileira dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI) decide enviar carta às empresas que fazem parte do índice IBRX 100 da BM&FBovespa para que empreguem o Global Report Initiative (GRI) na elaboração de seus relatórios de sustentabilidade. “O GRI é uma ferramenta usada internacionalmente que permite avaliar e comparar empresas, setores e a sua evolução ao longo do tempo”, explica a analista de Investimentos Responsáveis do Santander Asset, Maria Eugênia Buosi, que falou com o Sociedade Sustentável durante evento realizado no Banco Santander, em São Paulo, para discutir o assunto.
O relatório de sustentabilidade é uma ferramenta de comunicação do desempenho social, ambiental e econômico das organizações e o GRI é considerado o modelo mais completo e difundido no mundo para sua elaboração. De acordo com Aloízio Macário, da Previ – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a adoção do GRI vai ajudar os investidores no momento da avaliação dos investimentos e, portanto, dos riscos. 
Riscos - De acordo com o executivo, no momento, a Previ trabalha para mostrar às companhias no Brasil a importância da abordagem das questões levantadas nos relatórios de sustentabilidade. “Na próxima etapa, queremos evoluir para traçar uma comparabilidade dos relatórios, ainda que setorialmente”, explica Macário. “No âmbito externo, queremos juntar outros signatários do PRI para que as empresas recebam uma carta dizendo que nós, investidores, queremos que as empresas usem o GRI.
A Previ é o maior fundo de pensão da América Latina e está entre os 40 do mundo em patrimônio. Segundo Macário, no portfólio da Previ, há 39 companhias que contam com investimentos da organização e várias delas fazem parte do IBRX 100. “Pesquisa mostra que, das 39 empresas, 61,5% possuem algum tipo de relatório de sustentabilidade e, destes, 41% fazem o relatório usando como ferramenta o GRI, um padrão que pegou internacionalmente.” Por meio da participação nas companhias e nos seus conselhos, os representantes da Previ têm focado na redução dos riscos e estão conseguindo abordar as questões relativas às atividades empresriais num horizonte de longo prazo, explica Macário.
Maria Eugênia, do Santander, lembra que empresa que se expõe a riscos pode ter no futuro seu valor comprometido. “O investidor quer saber dos resultados da empresa nas áreas ambiental e social”, diz.
Investidores - Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) foram elaborados por investidores institucionais líderes e contam com o apoio da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Pacto Global das Nações Unidas. O PRI inclui critérios ambientais, sociais e de governança, que ajudam a alcançar melhores retornos de investimentos de longo prazo e mercados mais sustentáveis. A adesão é voluntária. No Brasil, entre os signatários estão a BM&FBovespa, a Vale, a Previ.
O PRI conta com 700 signatários no mundo, que possuem cerca de US$ 20 trilhões em ativos sob sua gestão. A Iniciativa que nasceu em abril de 2006 contando com 65 integrantes vem crescendo rapidamente, demonstrando o interesse cada vez maior dos investidores institucionais e gestores em aplicar os recursos de forma responsável para a sociedade e o meio ambiente."


Mais:


Download da publicação Princípios para o Investimento Responsável (aqui)
Conheça a lista de relatórios de sustentabilidade das empresas brasileiras (elaborada pelo site Sociedade Sustentável)

"Grandes prédios aderem à sustentabilidade e têm lucro"


"Dois grandes e bons exemplos de sustentabilidade acabam de vir de cima: o tradicionalíssimo edifício Empire State Building, em Nova York (Estados Unidos), e o condomínio Dockside Green, em Victoria (Canadá).
No Empire State, a ideia é ilustrar para inspirar. É esse o espírito de uma mostra de sustentabilidade multimídia que traduz para leigos as iniciativas tomadas desde 2009 pelo condomínio e que visam a economia de energia e práticas sustentáveis. A exposição usa instalações e esculturas.
Após a conclusão do programa de reabilitação energética do prédio, a expectativa é que o condomínio reduza seu consumo de energia em mais de 38%, os custos com energia em US$ 4,4 milhões por ano (cerca de R$ 7,9 milhões), e as emissões de carbono em 105 mil toneladas nos próximos 15 anos.
No Canadá, a diferença é que a iniciativa já existe, e os ganhos à natureza são notáveis. Situado ao norte da cidade de Victoria, o complexo de edifícios de 70 mil m² não destruiu o ambiente, mas cedeu espaço a ele. Além de aprimorar a rede de lagoas e canais e torná-la ‘habitável’ para plantas e animais, a administração criou também um riacho artificial que circula água reciclada em uma usina subterrânea de tratamento de esgoto.
Há também turbinas de ventos nos telhados e sistemas de ventilação com ar externo e de uso de energia solar. Com isso, não há necessidade de uso de combustíveis fósseis para proporcionar calor à região. Originalmente uma sociedade entre um grupo de aprimoramento de moinhos de vento e o sindicato de crédito canadense, o projeto foi orçado em cerca de R$ 852 mil. O resultado para os moradores é que as contas de energia e de água juntas não chegam a 15 dólares canadenses (R$ 25)."

Notícia e imagem publicados pelo site Terra Meio ambiente/Andrés Bruzzone Comunicação. (As hiperligações foram acrescentadas)