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19 de abr. de 2010

"Lavoura sustentável aumenta safra e lucro", diz estudo


"Estudo diz que agrobusiness não resolve problema da fome e que adoção de práticas ambientais na agricultura pode dobrar produção.

A produção agrícola baseada em padrões industriais e alimentos exportáveis (commodities) não colabora para combater a fome em vários países em desenvolvimento e frequentemente resulta em degradação ambiental, afirma um artigo publicado pelo CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), um órgão do PNUD em parceria com o governo brasileiro. Os autores do estudo defendem uma mudança de modelo, com incentivo para o que chamam de agricultura sustentável — baseada no conhecimento local e em técnicas de preservação.
Este pode ser um momento oportuno para rever os métodos tradicionais da 'revolução verde', como subsídios a fertilizantes e pesticidas, e explorar alternativas sustentáveis e de baixo custo que ajudem a conservar os recursos hídricos e da terra", defendem os pesquisadores Tuya Altangerel, do Escritório de Políticas para o Desenvolvimento, do PNUD, e o pesquisador Fernando Henao, da Universidade de Nova York, no texto Agricultura Sustentável: Uma saída para a pobreza de comida.
"A produção agrícola industrializada e a transformação de itens da cesta básica em commodities não ajudaram a aumentar o consumo de alimentos em muitos países em desenvolvimento, principalmente entre importadores de alimentos", afirmam os estudiosos. Já as práticas sustentáveis “são mais eficientes em desenvolver um sistema de produção resistente”.
Eles citam uma pesquisa feita com 12 milhões de pequenos produtores em 57 países em desenvolvimento, segundo a qual os lavradores que adotaram práticas sustentáveis — como gestão integrada de nutrição e pragas, armazenamento de água de chuva e cultivo mínimo do solo — viram a safra crescer, em média, 79%. O maior salto (mais de 120%) ocorreu em pequenas propriedades irrigadas e jardins urbanos e hortas.
Métodos de conservação, incluindo agricultura orgânica, podem atingir safra comparáveis às da agricultura industrial. Sustentadas ao longo do tempo, também geram lucros maiores e reduzem drasticamente o uso de pesticidas convencionais”, escrevem Tuya e Henao. Além disso, eles afirmam que as práticas sustentáveis asseguram ganhos ambientais e aumentam o valor nutricional dos alimentos.
No entanto, não é um caminho fácil. Adotar a agricultura sustentável requer intensa cooperação e construção de conhecimento em nível local. “Apesar de, inicialmente, isso poder elevar os custos, o lucro líquido em médio prazo ainda é maior do que na produção agrícola industrializada, principalmente se benefícios adicionais forem levados em consideração — como dinâmicas sociais fortalecidas, gerenciamento de recursos naturais locais e autossuficiência alimentar", ressaltam.
Na prática, seguir princípios sustentáveis pode ajudar as 100 milhões de pessoas que foram jogadas no universo da fome, em 2008, devido à crise econômica mundial. Os pesquisadores também veem um impacto positivo na vida de mulheres que comandam pequenas propriedades rurais, já que a adoção da agricultura sustentável pode melhorar o uso da terra em longo prazo, assim como a qualidade da alimentação da família".
Imagem e  Notícia publicada pela PNUD Brasil - reportagem de Daniele Brant, da PrimaPagina (hiperligações já constantes no texto).

10 de abr. de 2010

"Fantasma da fome volta a assombrar a África"

 "Levantamento de ONGs mostra que quase 46% das crianças de região sudanesa estão desnutridas

As imagens de crianças esqueléticas indicam a iminência de uma tragédia em um vilarejo de cabanas de palha no Sudão, próximo à fronteira com a Etiópia. É o lugar onde há maior escassez de alimentos em todo o mundo, de acordo com as Nações Unidas. Dois anos de secas, a consequente fome e confrontos tribais em Akobo e arredores prenunciam uma nova crise humanitária no continente africano.
O Programa Mundial de Alimentos quadruplicou sua assistência de janeiro a março e passou a alimentar 80 mil pessoas na área. Mesmo assim, crianças com braços esquálidos, costelas protuberantes e estômagos inchados enchiam na quinta-feira passada a sala de um hospital, enquanto anciões que vivem nos entornos de Akobo se resguardavam à sombra, sem forças para caminhar.
As agências internacionais de ajuda se preparam para o pior. Mesmo se as chuvas da primavera (no Hemisfério Norte) se confirmarem, a colheita não chegará até o outono. A seca é especialmente preocupante porque a maior parte da população vive da agricultura.
E, se não chover, a situação se agravará – disse Galiek Galou, um dos três médicos do hospital da localidade.
Além disso, mesmo se os moradores tivessem dinheiro, estariam em dificuldade, porque não há o que comprar, afirma Galou. Em uma das salas do hospital, umas 10 crianças permanecem quase imóveis, com os rostos abatidos e ossos que parecem esticar a pele. As organizações internacionais Save the Children e Medair procuraram os que estão mais mal alimentados e encontraram 253 em situação de severa desnutrição, isto é, morreriam sem uma ajuda imediata. Eles são alimentados com manteiga de amendoim reforçada com outros nutrientes.

Situação está muito além do nível de emergência

Uma pesquisa recente de ambas as ONGs indicou que quase 46% das crianças da região estão desnutridas. Lise Grande, a mais alta funcionária das Nações Unidas no sul do Sudão, afirmou que a maioria das organizações humanitárias já consideram um percentual de 15% como uma situação emergencial.
Este ano, 4,3 milhões de pessoas no sul do Sudão vão necessitar de algum tipo de assistência alimentar. Quando um país tem tanta gente necessitada de alimentos, se pode avaliar a magnitude da crise que temos de enfrentar aqui – aponta Lise.
Localizada no sudeste sudanês, Akobo se situa em uma região isolada, palco de conflitos tribais que provocaram o deslocamento de quase 400 mil pessoas. A crise alimentar também é um legado de uma devastadora guerra civil de 21 anos que deixou milhões de mortos. O conflito não está ligado aos combates na região de Darfur, no oeste do Sudão, que causaram 300 mil mortos e 2,7 milhões de refugiados desde seu início, em 2003".

Problema antigo
Infelizmente, a situação enfrentada no Sudão não é a primeira crise humanitária no país ou na África:
- A República Democrática do Congo, na região central da África, era palco em 2008 de uma crise humanitária que obrigou 1 milhão de pessoas a deixar suas casas. Motivo: combates entre rebeldes, milícias e tropas do governo.
- Em 1984, uma grave crise atingiu a Etiópia, quando a fome matou cerca de 1 milhão de habitantes. Em 2008, o problema ressurgiu devido a uma nova seca – a maioria dos etíopes vive da agricultura.

Notícia e imagem publicada em  Zero Hora,  10 de abril de 2010 | N° 16301

11 de dez. de 2009

"FAO adverte sobre efeitos da mudança climática na pesca"


"A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) advertiu nesta sexta sobre as ameaças da mudança climática para a pesca e para a aquicultura, e a falta de preparação dos países para enfrentá-las.
As atuais dificuldades devido à sobrepesca, a perda de habitats e a má gestão, a pesca não está preparada para fazer frente aos problemas derivados da mudança climática, adverte a FAO, em um relatório publicado hoje.
O organismo da ONU aponta, além disso, que os pequenos países insulares em desenvolvimento, que dependem da pesca e da aquicultura para mais de 50% de sua ingestão de proteínas animais, se encontram em uma posição particularmente vulnerável.
Além disso, acrescenta o estudo da FAO, a pesca continental, 90% da qual é praticada na África e na Ásia, está igualmente em perigo, o que significa uma ameaça para a provisão de alimentos e os meios de subsistência de algumas das populações mais pobres do mundo.
A FAO alerta, além disso, que "a previsão é de que o aquecimento na África e Ásia Central se situe acima da média mundial e alguns prognósticos sugerem que em 2100 serão percebidos efeitos negativos importantes em 25% dos ecossistemas aquáticos interiores da África".
Além disso, a piscicultura será afetada, pois "o aumento do nível do mar durante as próximas décadas aumentará a salinidade de águas".
A FAO explica que o relatório, que foi redigido por especialistas de todo o mundo, "é uma das análises mais completas realizadas até hoje dos conhecimentos científicos sobre o impacto do aquecimento global na atividade pesqueira".
O relatório explica que, "em poucos anos, o aumento das temperaturas impactará na fisiologia dos peixes e produzirá mudanças na distribuição, tanto de espécies de água doce quanto de marinhas, mudará os ciclos reprodutivos e provocará mudanças em sua abundância".
As populações de peixes que vivem nas regiões polares poderiam aumentar com temperaturas mais quentes, enquanto as populações nas regiões equatoriais sofrerão uma queda.
"São necessárias medidas de adaptação urgentes em resposta às oportunidades e às ameaças para a provisão de alimentos e meios de subsistência provocadas pelas variações do clima", conclui o documento da FAO.

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto".

Fonte: Terra
(infográfico constante na notícia)

10 de dez. de 2009

Brasil pode sofrer colapso no abastecimento

"Dois terços das cidades brasileiras operam no limite da capacidade de fornecimento de água, segundo a Agência Nacional das Águas (ANA). O estudo mostra que as cidades podem entrar em colapso no abastecimento caso não sejam realizadas ampliações nas instalações atuais.

Para garantir a oferta de água, seria necessário investimento de R$ 18,2 bilhões até 2015. Segundo a ANA, o colapso pode ocorrer às vésperas da Olimpíada de 2016 ou logo depois da Copa de 2014, ambas no Brasil".

Fonte: Zero Hora, edição de 10.12.2009.

Veja ainda: íntegra da notícia divulgada pela Agência Nacional de Águas
Atlas de Abastecimento Urbano de Água