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7 de nov. de 2010

Reportagem: "Cultivando Água Boa"


"O Brasil é tão rico em água que a gente até pensa que esse é um recurso infinito pelo país. Mas não é. Hoje em dia, a paisagem de rios secando se tornou até comum em várias regiões.
É o que acontece no oeste do Paraná, ao lado da grande barragem de Itaipu. Lá também já existem córregos e riachos que secaram por causa da má conservação do solo e da falta de proteção às nascentes. Mas essa realidade está mudando.
Mesmo na seca, um dos maiores espetáculos da natureza são as Cataratas do Iguaçu, que, na língua do índio, quer dizer água grande. Parece água que não acaba mais. No entanto, dia após dia esse produto se torna tão precioso que já existe gente pensando em produzir água, fazer cultivo de água.
Vinte e nove municípios do oeste do Paraná fizeram um pacto para a defesa de suas nascentes. É o Programa Cultivando Água Boa, coordenado pela Hidrelétrica de Itaipu." 


1 de out. de 2010

Acesso à água


"Estudo publicado na revista científica Nature indica que 80% da população mundial vive em áreas em que o abastecimento de água potável não é assegurado. De acordo o estudo, cerca de 3,4 bilhões de pessoas enfrentam as piores ameaças.
Segundo os pesquisadores, o hábito ocidental de conservar água para suas populações em reservatórios funciona para as pessoas, mas não para a natureza. Para os cientistas, os países em desenvolvimento não devem seguir esse caminho, mas investir em estratégias de gerenciamento hídrico que mesclem infra-estrutura com opções naturais, como bacias hidrográficas e pântanos.
Os cientistas prevêem uma piora do cenário nos próximos anos com o aumento da população e as mudanças climáticas. “O que mapeamos foi um padrão de ameaças em todo o planeta, apesar dos trilhões de dólares gastos em engenharias paliativas”, disse o responsável pelo estudo Charles Vorosmarty, do City College de Nova York, referindo-se a represas, canais e aquedutos usados para assegurar o abastecimento de cidades. No mapa das ameaças ao abastecimento, parte da Europa e da América do Norte aparecem em condições ruins.
Mas quando o impacto da infra-estrutura criada para distribuir e conservar a água é adicionado, as ameaças desaparecem destas regiões, à exceção da África, que parece estar rumando para a direção oposta. “O problema é que sabemos que uma fatia enorme da população mundial não pode pagar por estes investimentos”, disse Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, que também participou da pesquisa. “Na verdade, estes investimentos beneficiam menos de um bilhão de pessoas, o que significa que excluímos a grande maioria da população mundial”, disse ele.
Mesmo em países ricos, esta não é a opção mais inteligente. Poderíamos continuar a construir mais represas ou explorar mais fundo o subterrâneo, mas, mesmo se tivermos dinheiro para isso, não é uma saída eficiente em termos de custo”, afirmou McIntyre.
 Os pesquisadores criticaram a forma como a água foi tratada no ocidente. Um exemplo citado é o abastecimento de água da cidade de Nova York, feito por fontes nas montanhas de Catskill. Essas águas historicamente não precisavam de filtragem até a década de 1990, quando a poluição “agricultural” mudou o cenário. A solução adotada, dizem, um programa de conservação de terras, se provou mais barata do que a alternativa de construção de unidades de tratamento. Para os pesquisadores, países desenvolvidos e os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) não conseguirão investir em infra-estrutura de abstecimento os US$ 800 bilhões que o estudo julga necessários até 2015."

Notícia e imagem publicadas pela Redação Sociedade Sustentável em 30.09.2010 

Link para o artigo "Global threats to human water security and river biodiversity", publicado pela Nature.

10 de mai. de 2010

Energia elétrica gerada da lama

 "Projeto da Universidade Federal de Rio Grande reaproveitará sedimento retirado de canal portuário para gerar energia suficiente para abastecer uma cidade de 1 milhão de habitantes"

"Da mistura de lama, areia e resíduos orgânicos, retirada do fundo do mar, virá a energia capaz de abastecer uma cidade de 1 milhão de habitantes. Um projeto pioneiro desenvolvido no Rio Grande do Sul promete gerar energia elétrica a partir de micro-organismos presentes nos sedimentos da dragagem do canal do Porto de Rio Grande. Em cinco anos, a usina ecológica poderá chegar ao pico de 580 megawats por hora e economizar até R$ 6 bilhões.
– É a capacidade de uma termelétrica do porte de Candiota, sem a produção de gás carbônico. Uma nova fonte de energia, com grande potencial de exploração – destaca o professor Fabrício Santana.
Ao lado da professora Cristiane Ogrodowski, Santana coordena o estudo desenvolvido há dois anos no Laboratório de Controle de Poluição da Escola de Química e Alimentos (EQA) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Marcos Satte de Amarante, Renato Dutra Pereira Filho, Henrique Bernardelli e Sérgio Przyzylski completam o grupo. Mais do que uma fonte de energia, a iniciativa resolve um problema comum a todos os portos: o que fazer com o material dragado?
As dragagens são processos para remover sedimentos que se acumulam com o tempo no fundo do mar, a fim de manter ou aumentar a profundidade dos canais portuários, garantindo o acesso seguro dos navios. Em Itajaí, Santa Catarina, é utilizado o sistema de injeção d’água, que limpa o canal e redistribui os sedimentos. Já em Rio Grande o sistema é o de sucção. Uma embarcação chamada draga suga os resíduos, descartados a 20 quilômetros da costa, em áreas de grandes profundidades.
É deste material, aparentemente sem serventia, que virá a energia elétrica, além de milhares de toneladas de areia e lama. Para isso, os pesquisadores adotam a tecnologia do micróbio elétrico (micro-organismo com capacidade de gerar eletricidade), que teve por base descobertas da década de 60, na Bélgica e nos Estados Unidos. O processo aproveita todo o sedimento retirado do canal. Areia e lama, que correspondem a 96% do material, podem ser comercializadas na construção civil. O restante, onde estão presentes os micróbios elétricos, é utilizado na produção de energia.
O processo aproveita a respiração desses micróbios, que durante a queima (oxidação) da matéria orgânica liberam elétrons, captados por um condutor que gera a corrente elétrica (eletrodos). Associado ao sistema, um circuito elétrico converte a voltagem para valores comerciais tradicionais – 110 ou 220 volts.
Em pequena escala, como nos trabalhos realizados em laboratórios hoje, a quantidade de energia obtidas parece pequena. Porém, como a dragagem do Porto do Rio Grande produz 1,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos ao ano, os números decolam. Em cinco anos, segundo a previsão do próprio porto, serão removidos 6,5 milhões de metros cúbicos de resíduos.
A materialização dessa tecnologia depende da construção de uma planta piloto para o tratamento dos sedimentos, prevista para começar no segundo semestre. Para isso, a Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia investirá R$ 300 mil, o porto cederá a área e mais R$ 60 mil, e a Furg subsidiará outros R$ 640 mil, pagos em horas de trabalho dos pesquisadores. No total será investido R$ 1 milhão em três anos.
– Torna o processo de dragagem sustentável. Alia geração de renda e preservação ambiental – destaca o oceanólogo Lauro Calliari, estudioso dos sedimentos dragados".
Reportagem e imagem de Zero Hora,  edição de 10 de maio de 2010, n° 16331 (íntegra aqui).
Reportagem em texto e vídeo Jornal Nacional 03.06.2010